
O atual cenário das plataformas de streaming ilustra perfeitamente a volatilidade do mercado de entretenimento, onde franquias adolescentes podem superar expectativas de longevidade enquanto projetos de personalidades globais lutam para encontrar seu público. Recentemente, Amazon Prime Video e Netflix vivenciaram essas duas realidades opostas: a primeira estuda expandir um de seus maiores sucessos, enquanto a segunda lida com o colapso de audiência de uma produção de alto perfil.
A Expansão de Cousins Beach
No Prime Video, o clima é de comemoração e planejamento estratégico. A série “O Verão que Mudou Minha Vida”, baseada na trilogia literária de Jenny Han, demonstrou uma força surpreendente, levando os executivos a repensarem o encerramento da produção. Embora o plano original fosse concluir a história na terceira temporada — acompanhando o terceiro livro —, o sucesso estrondoso entre o público feminino de 18 a 34 anos mudou o jogo.
Vernon Sanders, chefe de TV da Amazon, revelou em entrevista recente ao Deadline que a plataforma já trabalha no desenvolvimento de projetos derivados. Segundo ele, a série se tornou uma peça central para o serviço de streaming, cumprindo o objetivo de longa data de cativar esse segmento demográfico específico. Sanders destacou que a autora Jenny Han possui “ideias para mais” e prometeu surpresas emocionantes para os fãs, sugerindo que o universo da série não morrerá após a adaptação do livro final.
A trama, que gira em torno dos dilemas amorosos de Belly Conklin (Lola Tung) e seu triângulo amoroso com os irmãos Conrad e Jeremiah Fisher, cativou a audiência ao misturar o amadurecimento juvenil com dramas familiares pesados, como o câncer de Susannah Fisher. Com a terceira temporada programada para resolver definitivamente a disputa “Conrad versus Jeremiah”, especula-se que um possível spin-off possa focar no passado, explorando, por exemplo, a juventude e a amizade entre as matriarcas Laurel e Susannah.
Números em Queda Livre na Netflix
Enquanto a Amazon busca formas de estender sua franquia de sucesso, a Netflix enfrenta uma situação delicada com “With Love, Meghan”. A série de estilo de vida comandada por Meghan Markle sofreu uma queda drástica de audiência no segundo semestre de 2025, levantando fortes indícios de cancelamento.
Os dados são impiedosos: a segunda temporada, lançada em 26 de agosto, acumulou apenas 2 milhões de visualizações nos últimos quatro meses do ano. No relatório de transparência da Netflix, a produção amargou a 1.217ª posição entre os títulos mais assistidos do período. O especial de fim de ano, “With Love, Meghan: Holiday Celebration”, teve um desempenho ligeiramente superior, alcançando 2,4 milhões de visualizações e a posição 1.015, mas ainda longe de ser um sucesso.
A performance contrasta drasticamente com a primeira temporada, que havia registrado 5,3 milhões de visualizações entre sua estreia em março e o final de junho. O segundo ano do programa sequer conseguiu entrar no Top 10 semanal da plataforma ou nas paradas de streaming da Luminate, indicando que menos de 1,1 milhão de pessoas sintonizaram nos dois primeiros dias de exibição nos Estados Unidos. Nem mesmo a presença de convidados de peso, como os chefs David Chang e José Andrés, ou celebridades como Chrissy Teigen e Tan France, foi suficiente para reverter o desinteresse do público.
Futuro Incerto
Diante desse cenário, o New York Post informou que a série não retornará para uma terceira temporada, embora existam conversas sobre a manutenção de especiais de feriado. A Netflix, até o momento, recusou-se a comentar oficialmente os relatórios. Contudo, o contexto comercial já apontava para uma retração: em agosto, o acordo da gigante do streaming com Markle e o Príncipe Harry foi renegociado e rebaixado para um contrato de “first-look” (prioridade de visualização), sinalizando uma mudança significativa na parceria que envolve a Archewell Productions e a Sony IPC.
